Encontros do Olhar



Programa

21 Out—21:00 

Descolonizar/Reativar: Arquivos e Representação

Awa Konaté e Ben Krewinkel
Desirée Desmarattes (moderação)


18 Nov—21:00

Fotografia e Ativismo Social

Anthony Luvera


10 Fev—21:00 

Commissioning Photography

Emma Bowkett e Josh Lustig


24 Fev—21:00

Feminino e a Construção Social

Haley Morris-Cafiero


24 Mar—21:00

Fotografia e a Comunidade

Jim Goldberg e Alessandra Sanguinetti


28 Abr—21:00

Photobook à La Portugaise

Archivo, Pierrot Le Fou, STET e XYZ Books
Pablo Berástegui (moderação)




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FRAGILIDADE —
TRANSITORIEDADE


IPF Porto, 21.10.2021—28.04.2022
Ciclo de Conversas

“As “fotografias” que capturamos com os nossos smartphones são imagens altamente processadas, tal como as imagens fotográficas de buracos negros e galáxias construídas a partir de informações recolhidas utilizando uma vasta rede de radiotelescópios.”1

Esta alegoria de Strauss é a metáfora ideal para descrever o modo como comunicamos hoje, não apenas através de texto, mas de um fluxo contínuo de imagens produzidas (in)conscientemente e partilhadas online.

Os avanços tecnológicos moldaram o mundo, cada vez mais interconectado e interdependente. Os mercados digitais tendem para os monopólios, empresas tecnológicas geridas por algoritmos monetizam dados e facilitam informação demasiado veloz para ser descodificada. O lapso na descodificação minou a opinião pública, criou realidades paralelas, que fragilizam a democracia e potenciam o surgimento de movimentos anti-establishment, políticas reacionárias e, eventualmente, destroem as bases onde a democracia se edificou. No entanto, continua a haver o potencial das imagens evidenciarem desigualdades económicas crescentes e em revelarem preconceitos ideológicos instituídos pela hipocrisia ocidental, incitando o surgimento de uma consciencialização coletiva, através da solidariedade e vontades comuns entre culturas.

A liberalização económica e a sociedade da informação criaram fraturas na organização social, polarizaram o debate nos limites da liberdade de expressão e no capitalismo de vigilância. Numa sociedade governada pela acumulação de bens, em que as aparências se transformam num bem (capital becoming image2), e finalmente nos tornamos numa função das imagens que criamos – o medo do próximo instigado pela conjuntura da pandemia tornou as interações dependentes das imagens. Mas será que esta nova forma de contacto se tornará modelo no futuro, minimizando interações humanas levando ao afastamento e alienação? Neste cenário complexo, o conceito de comunidade outrora assente na proximidade, na interdependência e na integração, é agora redefinido por uma série de transformações tecnológicas, sociais, culturais e ambientais.

Partindo da ideia em que a fotografia é uma intervenção recíproca, e da relevância vital em interagir, este ciclo de conversas centra-se na comunidade, apresentando uma série de práticas artísticas e curatoriais que propõe repensar a fotografia, tornado-a mais receptiva aos desafios da sociedade.



1 Strauss, David Levi. “Photography and Belief” pp. 64. New York: David Zwirner Books, 2020

2 Debord, Guy. “The society of the Spectacle” pp. 13. Berkeley: Bureau of Public Secrets, 2014



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21.10.2021—28.04.2022